Textos · uma carta

UMA CARTA À 2016

pmFFR_q8.jpg

Dear 2016,
Daqui pouco tempo o ano termina. Não vou negar que, com a ida dele, vem se as expectativas, a vontade de fazer melhor tudo aquilo que não foi feito anteriormente, o desejo de modificar tudo que foi feito e que não está legal, a ânsia de agarrar todas às oportunidades e de estar de braços abertos à todas as novidades propostas. Nos últimos dias do ano, a gente viaja mas memórias, e tenta deixar na mente somente as partes boas daquele ano. Mas, quer saber? Eu não me arrependo de ter errado, eu não me arrependo de ter feito algumas escolhas que não me levaram ao total sucesso. Na noite do dia 31, irei olhar para o céu e tentar relembrar tudo. Dos amigos que fiz, das coisas que descobri, das experiências novas que tive, dos apertos que passei, das superações, de cada lágrima e de cada sorriso. E, como já disse, não irei me arrepender de nada, pois se hoje eu sou quem sou, é porque eu aprendi com meus erros.

Esse ano, mesmo com todos os altos e baixos, valeu a pena. Perdi pessoas que pensei que estariam sempre comigo, me distanciei de pessoas que não me imaginava sem, conheci pessoas que não imaginava que amaria tanto, descobri quem são os verdadeiros e quem continua lutando ao nosso lado. Amei e desamei. Deixei de falar algumas coisas que deveria ter falado. Deixei de me expressar como deveria. Cresci e amadureci. Mas, mesmo diante de tudo isso, pretendo que 2017 seja melhor. Pretendo fazer muitas coisas diferente, pretendo mudar algumas coisas, pretendo melhorar alguns hábitos e milhares de coisas que não irei enumerar. Mas, posso dizer uma coisa? 2016 valeu a pena sim! Se eu faria tudo igualzinho novamente? Talvez sim. Talvez não.

Anúncios
Textos · uma carta

UMA CARTA AO EX

98edb63a-f781-487d-87e7-b3a84098162e

Dear ex,

Tudo bom? Espero que esteja tão bem quanto parecia estar na madrugada em que terminamos.

Eu te amava. Você não estava nem aí.

Fiquei dias sem sair de casa. Me isolei dos amigos. Não conversava com ninguém mais.

Foi aí que resolvi sair. Me envolver com coisas que me distrairiam. E eu fui.

Comecei a beber. Comecei a frequentar lugares impróprios. Tudo isso para esquecer. Mas segundos depois, eu lembrava. Comecei então a me envolver com coisas piores.

Não adiantou.

Fui em uma balada no centro da cidade. Você estava lá. A vontade que eu tinha era de correr e te abraçar, dizendo que ainda te amava.

Mas então veio uma garota.

Então os boatos eram reais. Você estava namorando. E não era a primeira depois de mim. Nem a segunda.

Tempos depois encontrei alguém.

Eu o negava. Não estava disposta a amar ninguém a não ser você. E de tanto negar, acabei o aceitando.

Começamos a nos conhecer.

Ele me amava e isso fazia eu me sentir melhor a cada dia. Parei de beber. Parei com tudo que fazia antes.

Começamos a nos relacionar.

Você ficou sabendo, certo? Disse que sentia saudades. “Poderíamos sair qualquer dia”

E em resposta envio lhe este “pequeno” recado.

Você fez comigo a mesma coisa que fez com todas as outras depois de mim. Apenas brincou. Eu só não percebia isso. Fico feliz em lhe informar que, estou bem sem você. Espero que encontre alguém que te ame assim como eu encontrei. Espero que encontre alguém que te ame assim como eu lhe amei.

Adeus.

  • OBS: Este é um texto fictício baseado em alguns fatos e histórias que me contam e/ou leio.

 

Recebidos · Resenha - Livro

A FACE OCULTA DA LUA: PRIMEIRAS IMPRESSÕES – RESENHA #7

15310405_932955253505792_1194175584_n

Heyy gente!!

Recentemente recebi esse livro maravilhoso de poemas e vim resenhar para vocês hoje.

Livro: A face oculta da lua

Autor: Rafael de Athayde Soares

Editora: Chiado

Estrelas: 5/5


SINOPSE:

“Você sou eu

Eu sou você

E com você eu me casei,

E hei de me casar,

Pelas próximas mil vidas que eu tiver,

E pelas próximas mil mortes que eu morrer.”

Um livro denso, intenso, preso a eterna dicotomia entre o sóbrio e a paixão incontrolável que move a vida humana. Uma compilação de poemas que abrange todas as fases da vida do autor até agora. Desde a adolescência, com suas dúvidas e angústias, até a fase adulta, onde irrompe uma poesia marginal, que apesar da lascívia, é romântica, é verdadeiramente sobre o amor. Esse amor que é retratado como pueril e algo idealizado, inatingível na adolescência, até irromper no amor verdadeiro, carnal, sensualmente belo da fase adulta, oculto sob a metáfora da face da lua. E no meio, impressões pessoais, pinceladas, como quadros impressionistas de viagens, paisagens, cidades pelo mundo.

O autor bebe da fonte de poetas como Charles Baudellaire, Rimbaud, Bukowsky, não esconde suas raízes marginais de Augusto dos Anjos, nem do existencialismo de Fernando Pessoa.  Um livro sobre a vida, vida humana nua e crua, sem censuras, sem poréns.”


O livro é dividido em três capítulos, adolescendo, lugares e paisagens, a poesia marginal. O livro em si é maravilhoso, gostei muito de todos os poemas feitos pelo autor, porém, como a gente sempre tem aquela queda maior por alguns poemas do que por outros… Eu tive meu preferido, com o nome de Amsterdam, deem uma olhada nas melhores partes dele:

Sem título.png

15301183_932954456839205_627056496_n

Sinceramente não sei porque amei tanto esse poema, talvez seja por eu amar Amsterdam ou por me admirar com as letras das canções de Codplay. Ou então, seja porque eu gosto muito de presenciar reencontros, como num aeroporto (que é falado no poema). E, por incrível que pareça me pergunto a mesma coisa “será que minha vida será assim? Cheia de chegadas e despedidas?” E, assim como o autor, eu desejo que não pois, convenhamos, despedidas não são nada legais.

Há também vários outros poemas, alguns no estilo desse, outros não, porém são todos ótimos! De verdade, eu não sei porque gostei tanto do livro, pode ser que eu tenha me encantado pelos poemas pelo fato de que o jeito que o autor escreve tenha me contagiado, eu me prendi a eles tão rapidamente que, quando me dei conta, o livro acabou. Garanto que vale muito a pena a leitura, gostaria de agradecer ao autor pela confiança e por ter me dado a oportunidade de ler seus textos ❤

15134306_932954430172541_282020603_n
“Nada poderia ser mais clichê e patético. Mas o que seria da minha vida se não fossem meus patéticos clichês?”
Meu pensamento · Textos

Varanda

tumblr_od4l3mbcmu1qagf9bo1_540

Vazio. Era como eu me sentia ao olhar aquela varanda, todos os dias logo de manhãzinha eu abria a cortina e te via apoiada na grade com uma xícara de café e uma folha de jornal lá sozinha. Logo a frente da minha varanda. Cabelos um pouco acima da cintura, tão escuros como o céu de uma tempestade e cacheados. Boca carnuda e vermelha como o sangue. Nariz fino como uma seda. Olhos grandes e claros como uma tarde após a chuva quando surge o arco ires. Rosto delicado como o de um anjo. Logo a frente da minha varanda. Foi ali que começou minha felicidade. Desde o primeiro dia em que te vi. Foi amor a primeira vista.Eu só conseguia pensar em você 24 horas por dia. Minha motivação era levantar, abrir a porta da varanda, aquela que me concebeu a felicidade, e te ver sorrir lendo qualquer coisa que estivesse nas páginas do jornal que estava em suas mãos. Um dia você percebeu que eu estava ali, só te observando, e começou a sorrir mais, aparecia todos os dias e nós ficávamos apenas observando um ao outro. Mal se mal acabará uma manhã, e eu já queria outra. Em uma manhã qualquer você não apareceu, eu estranhei. Na manhã seguinte também não, na outra também não, e na outra, e na outra… Simplesmente parou de aparecer. Logo a frente da minha varanda. O motivo eu não sabia, mas a falta que eu sentia era enorme. Me sentia completamente vazio.

L.M Morgan

Textos

FALTA DE AMOR

tumblr_static_tumblr_static__640 (1)

Acontece que, de uns tempos pra cá, casais de mãos dadas, gargalhando e brincando, já não têm mais graça. Dias chuvosos já não me encantam como antes, do que adianta deitar e olhar pela janela a chuva caindo, se não posso te ter aqui comigo? Noites estreladas já não significam nada, do que adianta tentar esquecer das coisas enquanto observo toda a imensidão, se eu conseguia me perder somente nos brilhos de teus olhos? Dias de sol me dão embrulho no estomago, do que adianta poder sair e tomar um sorvete, se quem adorava um sorvete expresso na casquinha da sorveteria da esquina era você? O outono não me encanta tanto como antes, o céu parece cinza, sem cor, totalmente apagado, do que adianta tentar admirá-lo se quem o deixava colorido e cheio de vida era você?

A primavera? Bom, ela já não me inspira mais, do que adianta as belas tardes floridas, ótimas para fotografar e me distrair, se toda minha inspiração e quem me distraía me fazendo esquecer dos problemas era você? Pessoas dançando, adolescentes saindo em grupo, crianças correndo no parque, isso tudo me traz náuseas, não consigo mais ver com os mesmos olhos, coisas que, hoje, me fazem lembrar de você. Me disseram que isso é falta de amor, mas do que adianta aceitar e amar alguém, se quem eu realmente amo é você?

Textos

NUNCA FOI VOCÊ

kk.png

Não é que eu não tenha te procurado, muito pelo contrário, tentei te ligar várias vezes, e a ligação sempre tocou até cair, tentei enviar algumas cartas, e foram todas sem respostas, a questão é que você não queria ser encontrado, e eu compreendi. Eu pensei que seria difícil me desapegar, mas foi algo tão simples que às vezes nem parece que lhe amei tanto. Tentei muitas vezes lhe substituir, mas nunca de fato tentei lhe esquecer. Deixei de lado todo esse sentimento que me sufocava, segui minha vida, criei meus planos, na ideia de algum dia lhe reencontrar.

Hoje olho para ti e não vejo mais aquela pessoa que despertou em mim um sentimento puro e forte, o amor. Eu simplesmente não lhe reconheço mais. Chego muitas vezes à me perguntar “onde está aquela pessoa na qual me apaixonei alguns anos atrás?” e então eu fico com uma grande dúvida “será que foi tudo algo que eu criei na minha cabeça?” e muitas vezes chego a negar, mas outras vezes deixo por me convencer, de que aquela pessoa que eu via em ti, nunca existiu. Nunca foi você. Eu te inventei, e é por isso que nós nunca demos certo.

Textos

NUNCA EXISTIU NÓS

ko.png

Hoje olho para você, olho para mim, e tento entender como um dia pensei que existira um nós. Infelizmente nunca existiu. Se eu fosse você, eu teria ligado, ou até mesmo enviado uma carta. Tudo isso é medo de voltar e passar pelas mesmas coisas? Quem sabe algum dia você olhe para trás e lembre de tudo que passamos. Desde as melhores coisas até as piores. Desde os pequenos até os maiores momentos. Sempre foi eu quem lutou por esse (suposto) amor que, hoje, vejo que nunca existiu. Eu pensei que tivesse achado a pessoa certa, pensei que seria você, mas infelizmente eu estava errada. Errada por esperar de alguém algo que eu mesma poderia fazer: me amar. Mas eu não pensei nisso, não percebi que era somente eu quem lutava por esse falso amor, pensei que eramos nós, mas pra dizer a verdade, nunca existiu nós.

Talvez você se convença de que foi feliz nesse meio tempo, talvez não. Talvez você perceba que foi algo bom, talvez não. Pode ser que venha a pensar na possibilidade de voltar e retomar algumas decisões mal feitas, pode ser que não. Pode ser que você procure meu número e pense em ligar, pedir desculpas, conversar, como nos velhos tempos, “onde será que ela está?”, pode ser que não. Pode ser que o orgulho fale mais alto e nos impeça de conversar. São muitas dúvidas e indecisões que nem o tempo e nem mesmo a vida conseguem explicar. Eu deveria ter me amado primeiro, antes de lhe amar tanto.